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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Foucault, rapport e paixão!


Eu e a minha mania de estudar e aprender através de uma produção de texto, ou mera contribuição/partilhar. Vamos lá!

Faz alguns anos que fui apresentado formalmente à técnica do rapport, no desenvolvimento de atividades investigativas relacionadas aos mecanismos de controle legítimo da violência, dos indivíduos chancelados como detentores da monopólio da coação estatal. Pois bem...
            Ao procurar e pesquisar um pouco sobre o tema, pude perceber, em linhas gerais, que o rapport remete a um conceito do ramo da psicologia: uma ferramenta para criar uma ligação de empatia (outros dirão “sintonia”) entre o indivíduo detentor da técnica e a outra pessoa (entendo por demasiada dificultosa a pecha/alcunha “alvo” ou “interrogado”).
            A palavra rapport, como é cediço, é oriunda do termo francês “rapporter” a qual significa “trazer de volta”.  Com tanta tecnologia disponível no mercado, acredito que o termo mais aproximado – e que possa fazer com que este que vos escreve seja pedagogicamente entendido – seja SINCRONIZAÇÃO.
            Acredito que estejamos, inevitavelmente, na era da pós-informação. O bulhonismo da informação, entretanto, já não tem se apresentado de forma tão eficaz: de que vale a informação, se não é possível processá-la, organizá-la e, acima de tudo, SINCRONIZÁ-LA de acordo com o interesses?
            Passada essa divagação/consideração sobre os aspectos que possam circunscrever a SINCRONIZAÇÃO, cabe consignar os três componentes comportamentais que envolvem o rapport, a saber: atenção mútua, positividade mútua e coordenação (confesso que tenho me impressionado bastante com esta técnica, bem como os reforços positivos, ao mesmo tempo em que tenho procurado me afastar destas nas minhas relações cotidianas – tomar gosto por isto pode ser um jogo perigoso).
            À ocasião da degustação da obra “As Palavras e as Coisas – Uma Arqueologia Das Ciências Humanas” (Michel Foucault), ingenuamente, me deparei, logo no capítulo II, intitulado “A Prosa do Mundo”, com considerações do autor sobre SEMELHANÇA (item I: “As Quatro Similitudes”).
            Neste diapasão, Foucault reconhece o papel da semelhança na construção do saber da cultura ocidental, enquanto condutora da exegese e interpretação de texto, através da organização de símbolos, os quais permitiram o conhecimentos das coisas visíveis e invisíveis: é a representação pela repetição (visum et repertum).
            Dentro das figuras que prescrevem suas articulações ao saber da semelhança, Foucault destaca quatro elementos essenciais, os quais destacaremos a seguir. Neste sentido, a associação entre o rapport e este recorte da obra de Foucault foi inevitável. Quando eu parei para pensar, já havia escrito as primeiras linhas, aportando minhas singelas considerações.
            Adiante, o primeiro elemento destacado por Foucault enquanto essencial no processo de articulação que desembocará na semelhança é a conveniência (ou, ainda, similitude). Trata-se do emparelhamento das “coisas”, da aproximação, da boa formatação, do “tocar de bordas”. Nesse sentido, há de salientar que os movimentos se emparelham, assim como ocorre com as influências e com a paixão.
            Quanto à paixão, cabe consolidar a sinergia entre o corpo e a alma: a alma, inevitavelmente, recebe e assimila os movimentos do corpo. Entretanto, inegavelmente, o corpo se altera e se corrompe pelas paixões da alma! (G. Porta. La physionomie humaine. Trad. francesa, 1655, p. 1). Nessa simbiose a qual chamamos mundo, os seres, os corpos, as almas, se ajustam, adequadamente, uns aos outros! Estamos, pois, diante de uma aproximação gradativa, que nos guiará em um processo de escolha, o qual reconheceremos por amor!
            Enquanto ser eternamente resfolegantemente apaixonado, confesso que o elemento “paixão”, destacado na obra de Foucault, me encantou os olhos a ponto de devanear e passear sobre as mais diversas ilações, até que eu pudesse chegar neste inevitável encontro entre o eu-estudante (Foucault) e eu-profissional da segurança pública (rapport).
Foucalt ainda destacará outros elementos, tal qual a “emulação”, que corresponde à filha de uma dobra, ou, apenas, um reflexo: “O semelhante envolve o semelhante, que, por sua vez, o cerca e, talvez, será novamente envolvido por uma duplicação que tem o poder de prosseguir ao infinito” (página 28).
            Em terceiro lugar, Foucault enumerará a analogia. Trata-se de um conceito exaustivamente familiar à ciência grega e ao pensamento mediévico. Estamos, agora, diante de um processo de “ajustamento”, sobre os elementos que rodeiam, ou sobre si mesma. É somente através dessa reversibilidade e polivalência da analogia (caracteres fundamentais desta) que às figuras do mundo se permitirá aproximar.
            Por sim, Foucault destacará as simpatias. Nesta, não há determinação, nem encadeamento previamente prescrito. Ressalta-se, também, a possibilidade de transformação que as simpatias trazem em seu bojo. A simpatia é capaz de tornar coisas idênticas, misturá-las e fazê-las desaparecer em sua individualidade, cf. assevera o autor, antagonizada, por quem não cabe lugar de destaque nesta oportunidade: a antipatia.

            Um grande abraço a todo(a)s! Vibrações sempre positivas e boa semana!

           

Bruno Leal

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Marcos Pinto: que se explodam as outras estações!


2013! Era dia de mais um Sarau com o selo "Suzy Lopes" de qualidade! Um panteão de artistas se aglomerava, como de costume, nos recônditos do Empório Café. Recito alguns versos e, após momentos de puro gozo da alma, é chegado o momento da grande feira: abraços, sorrisos, promessas de encontros que nunca iriam ocorrer... papos em dia, novos ciclos de amizade! (por vezes, meu envolvimento com o binômio docência/perícias me afasta de tais momentos).
Entre cervejas e excentricidades peculiarmente artísticas (pleonasmo!) sou interpelado pela produtora Anne Fernandes, a qual se mostrou interessada em acompanhar um pouco do meu trabalho. Indico a leitura do blog. Alguns dias se passam e sou convidado para participar do corpo de jurados do Festival de Poesia Encenada do SESC. Mais que isto: antes do anúncio do resultado final, eu teria a oportunidade de recitar alguns poemas.
Minha alma estava em êxtase: assistir, em posição privilegiada, uma “pororoca da alma”: Poesia Encenada! O evento superou as expectativas: minha alma explodira ao longo das sucessivas apresentações! Ao final do evento, o poema “Crônicas Rimadas de Uma Cidade” (autoria de Carlos Fernandes), interpretado por Anunciada Fernandes e dirigido por Marcos Pinto, saiu vencedor!
Ao final da premiação, sou apresentado a Marcos Pinto. Ele me abraça como se me conhecesse há anos, diz que se emocionou no momento que declamei as poesias. Pergunto qual delas, em especial. Sem perder tempo ele emenda: “eu me emocionei muito com aquela que falava das asas de um anjo bom... de dar flores ao inimigo... de uma canção simples... de abraço sincero... pedidos recíprocos de perdão”.
Na verdade, a sensibilidade de Marcos Pinto (sua assinatura artística) pôde contemplar conexões tremendas que nem mesmo eu, enquanto autor do poema, havia percebido. As palavras (ditas com a voz rouca após tanto esmero na produção da apresentação) me soavam afetuosas e verdadeiras: nascia uma nova amizade (percebam que eu não falei “relação profissional!”).
Por vezes, tinha a alegria de ver publicado, em seu perfil social, algum verso meu. Conversávamos sobre sentimentos expressos na arte e na arte do sentimento dos versos!
Entre encontros e desencontros da vida... nos reencontramos em mais um Sarau-Suzy-Lopes! Ao final das apresentações, sentamos e conversamos por um longo tempo! Viagens, projetos, apresentações que prometi ir e não fui, sentimentos, vida: A-M-I-Z-A-D-E!!!
Ao final, recebo um pedido inusitado: “– Bruno, queria te pedir uma coisa” (como se eu pudesse negar algum pedido dele...) “ – Gostaria de encenar uma Poesia sua no próximo Festival!”.
 Eu quase não podia acreditar naquilo! Ele puxava pela memória meia dúzia de poesias, falava um pouco sobre os meus rabiscos, enquanto eu me perguntava por dentro: “– alguém, realmente, se importa com as minhas linhas?”. Ele se importava!
Hoje, por um descuido-cuidado do destino, o Bruno-CSI não estava de plantão em João Pessoa. Daqui de Campina Grande (segue a correria da vida...), grupos de notícia começam a tratar sobre mais um caso de morte na Capital. Um repórter, me chama no reservado e pergunta: “Bruno, boa noite! Você foi para a ocorrência do Tambiá? É o ator mesmo, não é?”... (começo a gelar... conheço alguns...). Ao perguntar qual seria o nome, recebo como resposta em letras-de-punhal: “MARCOS Fábio Costa PINTO”. Corro paras as redes sociais e confirmo o adeus inexplicável-inesperado, revoltoso-doloroso. Repito comigo mesmo: a morte é covarde!
Dói o coração... escorre pelo corpo... dói cada centímetro de alma impalpável!
Mas a arte... a arte não morre, jamais!  
Meu amigo, Marcos Pinto: vai com Deus e fica conosco... bem aqui no coração!
Deixo, por fim, alguns versos do poema “Que Se Explodam as Estações” (aquele que falava das asas do anjo bom):

“Eu quero escrever um poema em cima de um reino
Que, dentro de alguns instantes, não verei mais
Eu quero asas arrancadas de um anjo bom”

Eternamente de luto,


Bruno Leal

terça-feira, 29 de julho de 2014

Memórias de um pescador

Leitura: Jonas 2

             Domingo, 06 de julho de 2014. Após meses trabalhando nos finais de semana, longe da capital, finalmente eu estava de folga. Imediatamente, lembrei de um versículo que havia decorado nos tempos de UPA: "Alegrei-me quando me disseram: VAMOS À CASA DO SENHOR".
             Enquanto cultuava, meu coração pulava de alegria e minha mente repetia: aqui é o meu lugar! Definitivamente, falar SOBRE Deus é muito bom, mas falar COM Deus é algo tremendamente maravilhoso!
             Hoje, 10 de julho, completo 31 anos. Inevitavelmente, a celebração natalícia nos remete a um pequeno filme da nossa vida. Neste “jogo da memória”, lembro-me do conselho de um colega de trabalho: “ – Não adianta fazer “biquinho” com Deus! Não reclame das adversidades que Ele permite que ocorram na sua vida: lá na frente, você vai descobrir que a adversidade, na verdade, tratava-se de um livramento divino. Deus é bom!”.
            Tudo agora fazia sentido: o peixe que engole Jonas não tem o propósito de tirar a sua vida. Ao contrário: o Peixe é a salvação! A Palavra de Deus nos diz que Jonas ora “do ventre do inferno” (algo bem distante das montanhas e pastos verdejantes). Neste momento de angústia, o que importa para Jonas é a sua vida espiritual e a certeza de que Deus tem um propósito para a sua vida (“tornarei a ver o Teu santo templo”).
            Deus disciplina os seus filhos porque os ama! O salmista nos exorta que não adianta fugir da presença de Deus. A morte, representada pelo pecado, é triunfalmente vencida por Aquele que venceu a própria morte para nos dar a vida em abundância ("MAS tu fizeste subir a minha vida da perdição"). É tempo de despertar, ao som do “megafone” divino. É tempo de beber gratuita e abundantemente da Fonte de Água Viva! Aleluia! Cristo, meu Salvador, vive!
            A salvação do pecador-impotente (“Eu desci até aos fundamentos dos montes; a terra me encerrou para sempre com os seus ferrolhos”) gera, consequentemente, coração contrito, arrependido e grato: “Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento; o que votei pagarei. Do SENHOR vem a salvação"
            As cicatrizes celestiais nos remetem a uma vida de oração e lealdade a Deus. Deus permitiu que estivéssemos nas profundezas do oceano, dentro do ventre de um grande peixe para fôssemos lapidados e transformados em pescadores de homens.

Nada poderá nos separar do amor de Deus!

Em Cristo,


Bruno Leal

sábado, 17 de maio de 2014

Direito do Trabalho - Salário ou Remuneração?

“Trabalhador
Trabalhador brasileiro
Garçom, garçonete, jurista, pedreiro...
(Trabalhador – Seu Jorge)



Saudações, caríssimos!

            Sabemos que: tudo aquilo que o empregado recebe do empregador, concedido por força de um contrato de trabalho, celebrado entre as partes, como regra geral, a natureza é salarial!
            Pontue-se, desta forma, a diferença existente entre as expressões salário e remuneração.

            Art. 457 – Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber.
            § 1° – Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador”  (grifo meu!)

Um exemplo clássico de trabalhador que recebe gorjetas está contido na figura do garçom. Neste caso, saiba que: aquela gorjeta inofensiva que você concede ao garçom, após um bom chope e uma pizza apetitosa, trará reflexo no contrato de trabalho daquele garçom.


Para fins de memorização:

Remuneração = Salário + Gorjetas

            Se você não recebe gorjeta:

Remuneração = Salário


           Uma pequena observação: todos os recolhimentos referentes aos encargos trabalhistas deverão ser calculados tomando-se por base a remuneração (não é sobre o salário!).
            Ressalte-se que: o princípio da boa-fé contratual norteará o dono do restaurante, ocasião da contabilização do total (média) mensal percebido pelo garçom, à título de gorjetas. Para fins de concurso, basta esta informação (caso ocorra discussão em juízo sobre esta temática, o empregador poderá lançar mão da prova testemunhal ou pericial, por exemplo).
            Por fim, saliente-se que as gorjetas não compõem as bases de cálculo salarial para todos os efeitos, haja vista que temos quatro tipos de verbas que não têm incidência salarial: aviso-prévio, horas-extras, repouso semanal remunerado, adicional noturno.


Súmula 354, TST – GORGETAS. NATUREZA JURÍDICA. REPERCUSSÕES (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003.
            As gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes, integram a remuneração do empregado, não servindo de base de cálculo para as parcelas de aviso-prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado.
           
            Desta forma, pontue-se que: o adicional noturno será calculado com base no valor fixo pactuado entre a empresa e o empregado (horas-extras, de igual modo).
            Pergunta-se: é possível que um empregador estabeleça um contrato de trabalho com o empregado, em que este receba apenas gorjetas?
            Resposta: Não, haja vista que um dos requisitos do contrato de trabalho consiste na onerosidade entre o empregador e o empregado (se o empregador não pagar nada ao empregado è o contrato não será oneroso!).

            Deixo a seguinte pergunta para vocês: é possível que o empregado receba dinheiro do trabalhador, por força do contrato celebrado, sem que, todavia, sob esse valor recebido, incida qualquer encargo trabalhista ao empregador?


            Cenas do próximo capítulo...

terça-feira, 13 de maio de 2014

Pode isso, Arnaldo? - Reprodução Simulada: Caso Arruda (torcedor atingido por vaso sanitário)

Saudações, caríssimo(a)s! 

Cotidianamente, tenho o hábito de, logo cedo, deixar a televisão ligada em algum noticiário enquanto me preparo para mais uma jornada diária. Hoje (13/05), tive a oportunidade de assistir uma matéria que tratava sobre a reprodução simulada do evento que resultou na morte do torcedor Paulo Ricardo Gomes da Silva, o qual foi atingido por um vaso sanitário, após o término de uma partida de futebol no Estádio do Arruda (partida entre Santa Cruz e Paraná, realizada no dia 02 de maio). 
A reportagem a qual me refiro (vídeo) encontra-se disponível no sítio que segue:


Para minha surpresa, nos segundos finais do vídeo, o gestor do DHPP (delegado Joselito Kehrle) dispara: “não havia dúvida ou contradição nos depoimentos, mas a importância dessa técnica investigativa é justamente essa: demonstrar para o corpo de jurados a forma com que o crime fora praticado”.

Art. 7o  Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não contrarie a moralidade ou a ordem pública.

Se o delegado afirmou não haver dúvidas, de acordo com o art. 7° do CPP, entendo que não há motivação para que se proceda à Reprodução Simulada dos Fatos. Ao mais, considero que: a utilização deste expediente, com o escopo de “demonstrar para o corpo de jurados a forma com que o crime fora praticado”, pode configurar uma desnaturação deste recurso investigativo.
Sob o meu ponto de vista, a frase supracitada pode sugerir que a Reconstituição do Crime serviu, tão-somente, como instrumento sumário de condenação dos acusados (pela mídia, pela sociedade e, principalmente: pelo corpo de jurados). Pude perceber que pessoas se aglomeraram para cultuar o “evento”: gritavam, em todo momento, palavras de ordem e procediam ao linchamento verbal dos acusados.
Ao mais, pergunto: tecnicamente, qual é a justificativa para que os vasos sanitários fossem arremessados à ocasião da realização da Reprodução Simulada?
Certamente, este foi o momento de maior “frisson” dos populares que acompanhavam in loco o procedimento investigativo. Em termos midiáticos acredito que este foi o momento principal. Alguns portais não se furtaram em divulgar imagens simultâneas/comparativas entre o momento da consumação do fato delituoso e do arremesso dos vasos, à ocasião da reconstituição dos fatos (um dos acusados, inclusive, participou deste momento, assinando, de uma vez por todas, sua sentença condenatória, em termos de reprovabilidade social).
Trago aos leitores um fato interessante e legalmente amparado: um dos três acusados se recusou a participar da Reprodução Simulada dos Fatos. Pode isso, Arnaldo?

Vamos conversar um pouco sobre Direito Processual Penal?

No que concerne à temática “Provas”, há de se consignar que devemos atentar para alguns princípios norteadores: Princípio de presunção de inocência; Princípio da busca da verdade; Princípio do “nemo tenetur se detegere (expressão utilizada, inclusive, em prova do MPF).
Sobre este último: ao ministrar a disciplina “Preservação e Valorização da Prova” (Curso de Aperfeiçoamento em Segurança Pública – Centro de Educação da Polícia Militar da Paraíba), me recordo, saudosamente, que alguns alunos, de forma bem humorada, para fins de memorização, traduziram a expressão da seguinte forma: “Nenhum Tenente detém a gente”.

Nemo tenetur se detegere:

Por força deste princípio (insculpido na Constituição Federal, art. 5º, inc. LXIII e na Convenção Americana de Direitos Humanos, art. 8º, § 2°, alínea “g”), o acusado não é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Ou seja: o acusado não precisa colaborar para a sua própria destruição (por este motivo, é natural que o ser humano resista a uma incriminação).
O princípio em comento tem, ainda, alguns desdobramentos, a saber: 1 – Direito ao Silêncio (sugestão de leitura: HC 80.949 e “Aviso de Miranda”); 2 – Inexigibilidade de dizer a verdade (lembrando que, no Brasil, o crime de perjúrio não existe); 3 – Direito de não praticar nenhum comportamento ativo que possa incriminá-lo; 4 – Direito de não produzir nenhuma prova incriminadora invasiva.

Quanto ao direito de não praticar nenhum comportamento ativo que possa incriminá-lo:

Com relação a este desdobramento, cabe pontuar que: se o meio de prova não depender de nenhum comportamento ativo, o acusado não estará protegido pelo “nemo tenetur se detegere”. É o que ocorre na reconstituição do crime!
Para finalizar, pontue-se que: a Reprodução Simulada dos Fatos constitui-se em prova nominada (aquela que está prevista em lei, com ou sem procedimento probatório definido), haja vista que o seu nome iuris encontra-se aposto no art. 7° do CPP.
Trata-se, ainda, de uma prova atípica, à medida que não possui um procedimento probatório previsto em lei (a lei não diz como o delegado deverá realizar a Reprodução Simulada dos Fatos.
Por este motivo, por vezes, nos deparamos com reproduções simuladas esdrúxulas, com procedimentos teratológicos!). Por não haver procedimento probatório, a Reprodução Simulada dos Fatos deve primar pelo bom senso e experiência do indivíduo que coordenará as atividades (não é de bom alvitre que se realize, por exemplo, a reconstituição de um crime no período da manhã, quando este crime, na realidade, ocorreu pela madrugada, haja vista que a reprodução deve primar pela proximidade das circunstâncias do crime).
Encerro o presente texto, reafirmando a importância da “Reprodução Simulada” enquanto recurso investigativo (amparado, inclusive, pela figura do Perito Criminal e seus auxiliares), o qual tem por objetivo “verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo” (grifo meu!), cf. predispõe de forma cristalina o art. 7°, CPP.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Polícia ou ladrão? Eu sou CAVEIRA!!! Eu sou BOPE!!!


Parabéns para você, nesta data querida!

Na última semana (dia 14), o Batalhão de Operações Policiais Especiais da Paraíba comemorou o seu primeiro ano de instalação. São cerca de 300 homens e mulheres espalhados por todo Estado, comprometidos com a segurança e o bem-estar da sociedade paraibana.
Durante a solenidade, a qual ocorreu em frente ao Comando Geral da Polícia Militar da Paraíba, foi hasteada uma bandeira preta, a qual ostentava o desenho de um punhal cravado na caveira, juntamente com a bandeira nacional e a bandeira do Estado da Paraíba. À ocasião do evento, o Coronel Euller Chaves, ora comandante-geral da PM, vestiu o uniforme preto com o referido símbolo.

Comandante, que inveja do senhor! Que saudade dos meus tempos de criança!

Queria eu poder repetir o gesto do comandante Euller Chaves... O BOPE representa, para o Brasil e Paraíba, a possibilidade de acreditar que os nossos sonhos de criança ainda não morreram!
Lembro-me, como hoje, da Liga da Justiça da América, um desenho animado inspirado na Sociedade da Justiça dos anos 40 (é... estou ficando velho...). Tratava-se de uma equipe de super-heróis, criada para combater o crime, a qual operava em uma caverna secreta, localizada em uma pequena cidade e tinha uma base de apoio na Lua, em um complexo chamado Torre de Vigilância.
O BOPE, verdadeiramente, consiste na tradução desta equipe de super-heróis, muito embora não operem em caverna secreta, nem tenham uma base de apoio na Lua. São cerca de 300 heróis que têm honrado a farda, a qualquer custo. Para tanto, sacrificam sonhos, família, estudos... sacrificam a própria vida!!!
           A Liga da Justiça representava um panteão dos deuses, com suas personalidades e habilidades próprias. Os heróis lidavam, exclusivamente, com as maiores ameaças à Terra, seja um exército de invasores alienígenas, uma horda de anjos renegados ou, até mesmo, uma coalizão de vilões, entre outras ameaças cósmicas, as quais só poderiam ser enfrentadas por tal nível de combinação de poderes e habilidades.
           Sabemos que o BOPE não é um panteão dos deuses. Mais do que isso: o BOPE é uma família que milita em nome da vida, em nome da moral, dos bons costumes, em nome de Deus! É bem verdade que não temos invasores alienígenas, horda de anjos renegados, ameaças cósmicas. Todavia, temos indivíduos que explodem bancos, homicidas de toda a sorte, estupradores, maridos que agridem suas esposas, dentre outras narrativas que traduzem os mais diversos tipos penais.
Entre outros heróis: Superman, Batman, Mulher Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Aquaman, Gavião Negro, Homem-Elástico, Mulher-Gavião, Super-Gêmeos. Já entre outros vilões: Lex Luthor, Coringa, Doutor Luz, Liga da Injustiça, Apocalipse, Destruidor Estelar.
No BOPE são cerca de 300 heróis e uma infinidade de vilões e de imprevisões!
Sabe o que mais me impressionava na Liga da Justiça? É que, por maior e mais impossível que um problema se erigisse, maior, e mais emocionantes, eram as manifestações dos super-poderes. Eu teimava em gastar horas e horas imaginando-me dotado de alguma daquelas faculdades fantásticas e pensando no que eu poderia sair fazendo mundo afora.
Sabe o que mais me impressiona no BOPE? Eles fazem o que consideramos impossível! Treinam exaustivamente para não falhar. Nunca, em momento algum. E o melhor de tudo: são humanos, têm sentimentos, familiares que pedem a Deus que os traga de volta ao final de cada serviço. Mais do que isso: eles existem!

Eu sou Caveira! Eu sou BOPE!

Quando criança, brincávamos de “polícia e ladrão”. Já adulto, passei a observar esta brincadeira entre as crianças: uma ou outra preferia ser ladrão! A sensação de impunidade do nosso país se incutia desde cedo na mente dos nossos meninos. Ser ladrão valia mais à pena. Fugir da polícia, saber que “não dá em nada” era muito melhor.
Recentemente, pude observar crianças do bairro brincando de “Polícia e ladrão”. Ao se dividirem uma delas falou:
 “– Eu sou ladrão!”
Ao que a segunda respondeu:
“– Eu sou Polícia!”
Ao perceber que o amigo não pertenceria ao mesmo time, o garoto ainda tentou demovê-lo da idéia:
“– Tá maluco? Fica sendo ladrão comigo, pô! É bem melhor! Polícia sempre perde!”
“– Eu sou caveira!!! Eu sou BOPE!!!”
           
Alheio a tudo isto, o de puta do Luiz Couto/PT (gravem este nome!) ocupou a tribuna da Câmara Federal para denunciar que o comandante da Polícia Militar da Paraíba estaria desobedecendo a uma determinação do governador Ricardo Coutinho, o qual teria se pronunciado no sentido de não aceitar a utilização do referido emblema (faca na caveira) pela Polícia Militar paraibana.
O deputado – que, em 2011, saiu em defesa do colega de partido Antônio Palloci, acusado de enriquecimento ilícito, por ter multiplicado por 20 o seu patrimônio em 04 anos – complementou seu discurso afirmando: “isso precisa ser analisado com mais profundidade”.
Quando eu vejo um “parlamentar”, ocupando uma tribuna para desferir palavras contra um Batalhão que mal completou 01 ano de instalação, fico me perguntando: será que é falta do que fazer? Interesse político? Falta de projetos? Medo? Por qual motivo o BOPE causa tanta preocupação ao parlamentar?
O Conselho Estadual de Direitos Humanos (sim, ele existe!), na efervescência desta discussão, encaminhou ao comandante-geral da Polícia Militar um documento em repúdio aos pretensos crimes de apologia (pasmem!) que a Polícia Militar estaria cometendo e defendendo o cumprimento da Resolução Ministerial n° 8, de 20 de dezembro de 2012, art. 2°, inciso XVII.
Ainda, neste documento, os integrantes do Conselho Estadual de Direitos Humanos mostraram “preocupação” não apenas com o uso da caveira como símbolo, mas, também de figuras de “animais raivosos, jargões em músicas ou jingles de treinamento que fazem apologia ao crime e à violência, com a escusa de que os policiais se sentem mais estimulados para o trabalho”.
Que lindo! O Conselho Estadual de Direitos humanos está preocupado com figuras de “animais raivosos”. Senhores me permitam um breve comentário: acredito que o problema não esteja na figura dos animais raivosos, mas em seres humanos que agem como animais raivosos!
Vocês falam sério quando se referem aos pretensos “jargões em músicas ou jingles de treinamento que fazem apologia ao crime e à violência, com a escusa de que os policiais se sentem mais estimulados para o trabalho”? Quem disse para vocês que os policiais usam este argumento como escusa? Com base em que vocês afirmam isso?
Animais raivosos, músicas de treinamento que fazem apologia ao crime e à violência? Aaaaaaaaah...

            ...lelek lek lek lek lek lek lek lek lek lek

            No documento protocolado, por fim, afirmam que:

“Entendemos que esta permissividade contraria princípios constitucionais, tratados de direitos humanos e a Resolução Ministerial acima mencionada, afrontando o Estado Democrático de Direito. É sabido que a violência impregnada nesses símbolos e práticas desumaniza os trabalhadores da Segurança Pública que acabam manifestando o ódio e a raiva apreendidos no tratamento dispensado à população jovem, negra e mais pobre do Estado, além de contrariar a política de segurança em voga pela Secretaria de Segurança Pública do Estado da Paraíba e do Governo do Estado da Paraíba”
Desumaniza? Violência? Ódio? Raiva? População jovem, negra e mais pobre? Por favor, me dêem o direito de não comentar sobre este devaneio!!!
Para surpresa e tristeza de todos, o Boletim Interno da Polícia Militar da Paraíba desta sexta-feira (22/03) gritou a dor mais alta que o Batalhão de Operações Especiais poderia suportar: foi publicada uma resolução do coronel Euller Chaves (de mãos atadas, creio eu), ora comandante-geral da referida briosa, a qual proíbe o uso da caveira como símbolo pela corporação.
Tenho uma amiga que é do BOPE. A capa do celular dela tem o formato de uma caveira. Certamente, ela acorda, olha para aquela capa e lembra, mais uma vez: quem ela é, qual é a missão dela, o orgulho da sua família em vê-la dando a vida pelo próximo e, por fim, ela lembra que sua conduta ilibada e destemida definirá a escolha da criança que brinca de “polícia e ladrão”.
Ainda sobre o deputado Luiz Couto (PT), eis que o mesmo pediu, também, que as autoridades da Paraíba cumprissem as “determinações ministeriais na forma de acolhimento ao clamor público” (grifo meu!) e, quanto aos policiais que “aderissem à essas atrocidades, que sejam punidos conforme a lei”.
Clamor público? Atrocidade?
Até onde eu sei, quem comete atrocidade é ladrão, é bandido! Até onde eu sei, o clamor público quer polícia, quer segurança, quer parlamentares que se preocupem com o futuro de seus filhos e usem a tribuna para garantir a segurança e o bem-estar social.
O clamor público um dia foi criança e brincou de “polícia e ladrão”. O clamor público cresceu e fez a sua escolha.

Eu sou Caveira!!! Eu sou BOPE!!!

E você?

Com sangue nos olhos,

Bruno Leal

quarta-feira, 13 de março de 2013

Salve Jorge: Quanto vale um Papa?



            Quarta-feira! O relógio marca 18 horas e 06 minutos. Pela chaminé da Capela Sistina, um fumo branco começa a se dispersar: (temos) um novo Papa!
            O ritual acima descrito (uma das escolhas mais rápidas do último século) informa ao mundo que um nome recolheu, pelo menos, dois terços de votos dos cardeais. Seu nome é Jorge Mário Bergoglio (76 anos), o qual adotará o nome de Francisco I: o primeiro Papa sul-americano (argentino) e, também, o primeiro Jesuíta a sentar-se na cadeira de Pedro.
            Para uns, a personificação do próprio Deus na Terra. Para outros, mais um líder religioso, quiçá o maior de todos (o que passar disso, não nos interessa neste momento). Deixando de lado o aspecto religioso e atento, tão somente, às imbricações políticas e sociais que se desdobram, faz-se necessário a leitura do curriculum vitae Papal”.
            Em linhas gerais, é cediço que o novo Papa opõe-se ao aborto e à eutanásia (e, aqui, começamos bem!). Na contramão do “modus operandi da sociedade humanista secular”, Vossa Santidade mantém a posição da Igreja, no que concerne aos aspectos que envolvem a temática “homossexualidade” (ainda não foi dessa vez!). Na Argentina, chegou a condenar publicamente a legislação tendente à permissão do casamento gay (ano de 2010).
            Todavia, o Supremo Pontífice segue a tendência do momento, aderindo aos bons pressupostos que envolvem a expressão “tolerância religiosa”. Aos adeptos da Teologia da Libertação da América Latina, informo, de antemão que o Cardeal Maior é um teólogo conservador distante, inclusive, do referido movimento.
            Contra o novo Papa, pesa a acusação de um advogado e ativista dos Direitos Humanos, o qual apresentou uma queixa sobre o mesmo (sem quaisquer provas), acusando aquele de ter conspirado, em conluio com a junta militar (ano de 1976), o rapto de dois padres jesuítas a quem o Papa – à ocasião na qualidade de superior da Companhia de Jesus da Argentina – teria ordenado que abdicassem de suas vocações “cléricas”, uma vez que tais atividades estariam contrariando os interesses da ditadura militar.
            Milhares de fiéis aguardavam que o novo ocupante do Sumo Pontífice surgisse no balcão da basílica de São Pedro. Cânticos são entoados: “Viva o Papa, viva o Papa”. Mais do que isso, tenho certeza que, por todo o planeta, súplicas sucessivas rogavam ao bom Deus que trouxesse o discernimento necessário aos cardeais, no que se refere à escolha do novo representante mundial da Fé Católica.
            Nas redes sociais, por todo o mundo, usuários se mostravam, mesmo após o término da votação, apreensivos com o anúncio esperado. Ansiedade? Religiosidade? Talvez... Neste mesmo “balaio”, se juntam os que afirmam ser católicos, talvez por uma mera necessidade de cumprimento de uma convenção social, de ter uma religião, um selo ISO 9.000 de “catolicidade”.
            Para estes, a mera afirmação de “estar atento a questão da escolha papal” é comparável ao indivíduo que só torce para o seu time quando ele está na final do campeonato, ou, até mesmo, ao indivíduo que, ao realizar compras, certifica-se se o produto possui o selo ISO de qualidade, se foi produzido com madeira de reflorestamento, ou se aquele aparelho não foi produzido com mão de obra escrava. E assim, mentem às suas consciências e fingem cumprir o seu papel de bom cidadão!
            Não conformado com estes, lancei a seguinte indagação, em minha rede social: “Queria saber quanto vocês estão ganhando para ficar de frente para a TV esperando que seja anunciado o novo Papa...
            De antemão, peço desculpas caso alguém tenha se sentido ofendido com o referido questionamento. Todavia, em um trocadilho oportuno, gostaria de lembrá-los: nem o Papa agradou a todos (no Brasil, principalmente, haja vista que o mesmo é “hermano”).
            De “bate-pronto” fizeram relação imediata com o aspecto pecuniário, e seguiu-se uma breve troca de ideias que considero salutar, por acreditar que todo contraponto é necessário. Recentemente, aderi ao projeto da Fundação Fé e Alegria, uma Fundação Jesuíta com abrangência mundial (trabalho voluntariado). Minha participação consiste em ministrar aulas de História (Geral e do Brasil) na Igreja Sagrado Coração de Jesus, no bairro de Mandacaru (João Pessoa) para os moradores da região.
            Por estar inserido neste contexto maravilhoso (do qual não abro mão, por nada), por me entender adepto da retro mencionada tolerância religiosa (a qual considero uma mão de via dupla. Pelo menos, em tese...) e por não possuir um líder religioso mundial (haja vista que o meu se encontra, momentaneamente, impalpável), gostaria de perguntar a vocês: Quanto vale um Papa?

            Salve, Jorge (Mário Bergoglio)! Salve, Francisco I!

Bruno Leal

sábado, 3 de março de 2012

Erton Cabral




  "Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer?
Quero voar pra bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou" 
(Os Anjos - Legião Urbana)


Final de noite em João Pessoa, de um dia qualquer de 2011. Celebro a felidade, a amizade e a vida na companhia do meu irmão e de mais um amigo. Na mesa ao lado, três meninas e um rapaz exalam uma alegria que nos convida a juntar as mesas e formar uma só "família". Erton Cabral e suas amigas pareciam radiantes com o Congresso que participavam e com a descoberta de novos valores e amizades.
Momentos de muita risada e brindes à vida, que se estenderam ao nascer do sol na praia do Cabo Branco. Momentos que permanecerão indeléveis nas nossas memórias! A vida, sempre corrida, e a distância (João Pessoa – Caruru) nos limitou a contatos por meio de uma rede social. Através dela, acompanhei o sucesso de um aluno da UFPE, oriundo de família humilde, mais do que vencedor na vida, com projetos de Doutorado, entre mil sonhos e projetos. Inteligência e talento singular!
Ontem, plena sexta-feira, meu cansaço não me deu o direito de celebrar a amizade e a vida com meus amigos. Pego no sono logo cedo. Pela madrugada, recebo a notícia que Erton acabara de ser assassinado com 15 golpes de faca, em sua própria residência. Seus gritos de socorro ecoaram por toda a vizinhança e ainda pulsam freneticamente no coração de seus amigos. Como podem tirar a vida de alguém como Erton? Lutador, tão cheio de vida, talento, pureza e planos! Como um ser humano pode tirar a vida do seu semelhante?
Não nos preocupamos com a fatalidade alheia até que ela entre na nossa casa, sem pedir permissão, e ceife a vida dos nossos entes queridos e amados. Meu coração está em luto pela Humanidade (com H maiúsculo mesmo!). Indiscutivelmente, a barbárie atingiu patamares sem precedentes. O ser humano precisa "Ser Humano"! Erton deixa a vida e o seu projeto de Doutorado para ser Doutor em nossos corações!
Quantos pagarão por um grito de paz entupido em nossas almas? Quantos golpes serão desferidos em nossa sociedade (pais, mães, irmãos, amigos...) até que possamos entender que a paz dos nossos corações é maior do que qualquer política de ''Cegurança púbrica"? Tenho medo da maldade humana! Tenho medo do que as pessoas são capazes de fazer!
Meu coração já está cauterizado de tanta intolerância, de tanta falta de amor! Já não há mais estupefato pelo ato indigno e covarde de tirar a vida do próximo, mas ainda me questiono sobre frieza de um coração que pulsa um iceberg dentro de si!  Nesse momento não adianta procurar culpados. Governo, polícia, educação? Tanto faz! A vida, agora eterna, era uma só, somente uma... e se foi! Agora, Deus nos concede a oportunidade de pagar o mal com o amor (esse "bem", maior que o próprio "bem").
Aos amigos, restam as lamentações e o descrédito em dias melhores. Proponho, ao invés de discursos prontos sobre violência, um ato de humanidade! Característica marcante de nosso amigo que se foi.  Um ato de amor! Proponho o seguinte: para cada golpe desferido contra Erton, 10 rosas distribuídas pelas ruas de Caruaru após a Missa de Sétimo Dia.

Paz pela paz!

Deus conforte o coração de cada um de nós!

Inconformadamente,

Bruno Vianna Leal

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Vestido de Reggae

Eu quero um reggae solto
Para lembrar a noite maravilhosa ao teu lado
Baixinha, morena, suada, serena, sorrindo
De vestido e de detalhes, que lembro latindo (latente!)

A gente tem a gente para amar
E a baixinha dança! E ela bota para quebrar!
Solta o verbo sem falar nada e despreza o desprezar
Quem vai cuidar de mim enquanto ela não está aqui?

Boca fervendo, fervilhantes pensamentos
Amo-te e amo amar a falta de oxigênio
E a lágrima que cai sem lacrimogêneo
Homogêneos, hemoglobina e omoplata
A princesa e o primata

Flores no caminho e o sol se abrindo
Anunciando a saúde das pessoas que passam a caminhar
Na praia, na calçada, na sala
E sem rimar com a mesa do jantar

Café das dúvidas maiores; prossigo sozinho!
E mais um quadro na parede da minha casa
Mais um furo em mim mesmo
Picada de abelhinha

Esperando como quem espera
Calado, distraído
Rei sem rainha!

Politonia da vida


Faz de conta que não mente
Descobre minhas mentiras
E ri com o hálito mais puro dessa vida!
Safa, decifra a cifra dos meus segredos: safra!

A partir de ontem, não vou olhar mais para trás
Compartilhar com você toda emoção
Abrir os meus braços, bem forte, e te abraçar em algum lugar
Assumindo o sentimento que o coração já pulsou

Não há regras para nós dois: “politonia” da vida
Risos, palhaços, abraços, o mar quebrando
O vento batendo no seu cabelo
E eu esquecendo o pensamento de um segundo atrás

É tempo de ser feliz! É tudo o que eu sempre quis
Frente a frente, rente a rente! Sem tudo, sem lente
Miopia dos apaixonados! Te amo falando e calado
Errado é não apostar nessa paixão!

Não vou perguntar se você fechou a porta antes de sair
Vou abrir meu coração e deixar o vento levar
Sem leme, sem lema, sem lama, se lima!
Tão teu, tão minha, tão vida!